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4º Passeata Contra Rodeio em Piracicaba

4º Passeata Contra Rodeio em Piracicaba

Você vai ficar fora dessa?

Fonte:

http://www.odeiorodeio.com/site/

Etica e o Veganismo

Etica e o veganismo

No site Sociedadevegana.org, encontrei um texto escrito por Sonia T. Felipe que é membro fundador da Sociedade, além de ser escritora e professora. O texto fala sobre a ética em conjunto com o veganismo, o reflexo das atitudes dessa filosofia, na pratica porque o veganismo faz a diferença e o porquê o homem tem dificuldade em reconstruir seus princípios éticos. Nos trechos abaixo, retirado do site Sociedade Vegana, estão expostos algum dos principais argumentos, e fundamentos desse segmento.

“Ética (do grego ethos, que significa modo de ser, caráter, comportamento) é o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.”

“A decisão de tornar-se vegana ou vegano implica disponibilizar-se para enfrentar a própria formatação moral e os embates inevitáveis no âmbito da família, da escola, da atividade profissional e das demais práticas sociais, incluindo nelas o hábito de sair com amigos para comer fora, comprar presentes, organizar festas de final de ano, de aniversário, divertir-se e até mesmo escolher uma profissão.”

“Para qualquer ser vivo, a maior violência que se pode cometer é tirar-lhe a liberdade de mover-se para prover-se seguindo o modo que melhor se adequa ao alcance do bem que lhe é próprio. Por isso, a defesa dos direitos animais passa inevitavelmente pela libertação deles de todas as formas de privação da liberdade à qual estão condenados no sistema que os torna objetos de propriedade humana. Não são os veganos quem proíbem outros de usarem animais como se fossem coisas descartáveis. Quem o faz é o princípio ético que todo humano admite como válido quando seu interesse em não ser sequestrado, usado, explorado e assassinado está em jogo. Por submeter-se ao princípio ético, o movimento vegano admite que tal princípio prescreve certas ações, e proscreve outras.”

“A escravização de humanos foi abominada há quase dois séculos. Para fazer frente ao sistema das práticas institucionais que a fomentava, foi necessário um movimento político abolicionista. A violência da escravização de animais para fins humanos requer um movimento semelhante àquele, de envergadura incalculavelmente maior, pelo número de implicados nela. Semelhante, porque, nesse caso, as vítimas da apropriação não podem libertar-se, não podem juntar forças ou organizar-se para enfrentar a instituição da escravidão. Incalculavelmente maior, pois, no caso da abolição do uso de animais, estamos diante de algo espantosamente disseminado em todas as mentes humanas. O uso de animais não-humanos para atender interesses, necessidades e negócios humanos perpassa todos os âmbitos da produção e consumo de mercadorias e serviços.”

“Quando entendemos racionalmente o por quê de algo ser certo ou errado, queremos que os demais seres racionais imediatamente também o entendam. Mas, a construção da natureza ética nos humanos não se dá num passe de mágica. Mesmo quando temos clareza ética sobre uma série de questões morais, ainda assim relutamos em seguir aquilo que nossa razão nos dá por certo ou verdadeiro. A teia na qual nos enredamos, ao forjarmos o modo de vida antropocêntrico e hostil aos interesses de outros animais, coloca-os na condição de objetos de propriedade. Abrir mão da condição de proprietário e senhor requer força, coragem e desprendimento. Esse é o modo da libertação humana.”

Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica

O texto na integra você encontra no link abaixo:

http://www.sociedadevegana.org/index.php?option=com_content&view=article&id=16:a-desanimalizacao-do-consumo-humano-desafios-da-etica-vegana&catid=10:geral

Meu namorado não é VEGAN.

Meu namorado não é VEGAN.

Longe daquilo que é normal na vida de um vegano, meu namorado come carne. Temos todas as diferenças, ele gosta de uma cerveja e prefiro suco de laranja, ele gosta de churrasco eu só como vegetais. No supermercado passamos todos os apertos possíveis, aonde vamos primeiro? Ver as carnes ou pegar o tofu?.

Ele resolveu me entender, e eu o amo assim como ele é. Daí você me pergunta: – mas você não é contra quem come carne? E eu te respondo: – sou contra sim, minhas escolhas se tornam contraditórias quando falo do meu namorado, mas nós aprendemos a conviver com as escolhas de cada um.  Ele já sabe quais as marcas que eu consumo, me ajuda a cozinhar, e eu compro sua cerveja preferida que de quebra é vegana, a Heineken. E existe um sentimento muito maior, por trás de nossas escolhas, o amor, eu o amo pela pessoa que ele é pra mim, e não porque ele come carne. Convidei-o para ir ate o abatedouro comigo e no mesmo momento ele aceitou esse convite, dizendo que estaria ao meu lado em todas as situações. O importante nós temos, além do amor, é o respeito, e convivemos com essas diferenças tirando proveito das melhores coisas. Nós selecionamos melhor os lugares a que vamos, para que ambos possam se sentir bem. Resolvemos equilibrar o que temos de diferente e fazer o melhor.  Por mais diferente que possamos ser, é assim que vai continuar, temos muito a crescer e a entender um sobre o outro, e é possível sim se relacionar com alguém que é diferente de você, que não gosta do mesmo que você. Respeito é a fronteira mais estreita e mais resistente que você pode criar com quem você realmente ama!

A escolha não é facil.

A escolha não é facil.

Quando escolhi o veganismo, já imaginava que teria alguém tipo de conseqüência, e alguns meses descobri qual é: a deficiência dos supermercados em ter nas suas prateleiras alimentos veganos.

Aqui em Piracicaba o único supermercado que tem hambúrguer de soja, danone sem lactose, e que tem algumas marcas como Yoki, é o Pão de Açúcar. A pouco tempo descobri uma outra marca chamada SuperBom, mas não é vendida aqui, a cidade mais próxima que posso encontra – lá esta a 32Km de distancia. Com essas dificuldades na alimentação as pessoas que também se interessam por uma alimentação saudável, acabam abrindo mão disso. Até agora falei dos alimentos, quanto a vestuário, calçados e acessórios, só encontro na internet, não existem lojas que vendam roupas ou sapatos veganos.

Assim como os deficientes físicos, também encontrei limitações, obstáculos e pago um preço maior pela escolha. Buscar as alternativas é saber lidar com o problema, é ampliar o espaço que você tem e permanecer firme na sua escolha, em momento nenhum pensei em voltar atrás, mas confesso que o veganismo tem mexido muito comigo ultimamente, tem me colocado frente a frente com meus limites,  freqüentemente estou pensando no que me fez chegar até aqui. Para muitos ser vegano é estar no role, e curtir pessoas que fazem um som pesado e são veganos, para mim ser vegano é respeitar o direito dos outros, é ter consciência e principalmente, é ser alguém que vive livre da crueldade com os animais, não sou de role nenhum, meu namorado nem vegan é, mas ele respeita a minha escolha, entende meus limites. Essa escolha é muito pessoal e não cabe a minha pessoa “evangelizar” o veganismo, mas cabe, passar meu conhecimento a quem tiver interesse, a quem quiser fazer algo melhor pelo próximo, os animais. Eu sei o que escolhi pra mim, eu dou o meu melhor para que cada dia eu possa continuar a manter meus compromissos e minha ética em relação ao que escolhi para viver. Nenhum preço é alto o suficiente quando se fala em vidas!

Veganismo não é moda!

Veganismo não é moda, é atitude!

Quem já ouviu aquela frase: “Não me fale de paz, a violência começa no seu prato!”. Como alguém pode querer falar de paz, quando a sua própria refeição é a violência?

Escolher o veganismo ou o vegetarianismo não é simplesmente uma dieta, ou parar de comer carne, existem questões sócio comportamentais por traz disso, existe o fato de você não aceitar mais, consumir um produto que contenha sofrimento, dor, abandono. Você começa a perceber até aonde vão os seus direitos e aonde começam os do próximo, os animais. Sim, os animais são nossos próximos, nossos semelhantes e com direito a vida assim como nós. Há dez anos eu escolhi mudar meus hábitos e comecei então, indiretamente, a salvar vidas, não tinha a consciência do papel social que hoje em dia estou descobrindo.

A indústria da carne é a que mais polui e desmata o meio ambiente, ou seja, por trás daquele bife, existe não só o sofrimento, mas também o peso de um mundo emergente. Existe então alguma coisa errada.

Escolher uma nova alimentação, novos hábitos é sair de uma tradição, que é comer carne, e começar de novo, do zero, só que dessa vez da forma correta.

Quando você fala que é vegano, logo já ouve aquela pergunta: – mas então o que você come?alface?, As pessoas tem a mania de achar que nós só comemos alface, pois é vos digo uma coisa: vocês estão completamente enganados, e ainda posso provar que a variedade de alimentos que eu consumo é bem maior e mais saudável que os alimentos que vocês consomem. Os ovos e o leite são perfeitamente substituídos em receitas de bolos, tortas, pães, existe a margarina 100%vegetal, produtos sem lactose, chocolates, ou seja, você come de TUDO e com saúde.

Não escolha ser vegano, como uma simples dieta, escolha como uma questão de consciência.

É hora de começar a pensar em novas possibilidades, a revolução é nossa e começa dentro da gente. Veganismo não é moda, é atitude!

Se podemos ser melhor, porque não o fazemos?

“No Inferno todos vestem branco!”

Acabei de receber um e-mail do INR, com um texto falando sobre matadouros. Fiquei impressionada com os relatos, com a crueldade que ocorrem nesses lugares.

Vou posta-lo no blog, porque todos temos que saber as verdades por traz dos produtos quem as pessoas consomem, e aliais consomem o sofrimento também.

Esse texto foi escrito por Denise Terra.

‘No Inferno, todos vestem roupas brancas’

por Denise Terra

‘Ainda não amanheceu, estamos diante da chuva e do frio do inverno gaúcho à espera do ônibus que irá nos guiar até um dos maiores matadouros do RS. Somos estudantes de medicina veterinária, cursando uma disciplina obrigatória de inspeção de produtos de origem animal. A maioria de nós encontra-se eufórica, à espera dos ‘momentos emocionantes’ do dia. Eu estou em um canto, sendo observada de perto pela professora e o coordenador do curso, que ao saberem que sou vegana e ativista, temem que eu tenha um colapso na linha de matança.

Entramos no ônibus e seguimos viagem. No caminho, a sensação de que as cenas que eu teria que presenciar não seriam diferentes daquelas filmadas clandestinamente em matadouros ao redor do mundo, e ao mesmo tempo o sentimento inequívoco de que estaria prestes a presenciar uma série de crimes considerados ‘necessários’ pela humanidade.

Chegamos! Ao abrir a porta do ônibus, já somos tomados pelo impregnante odor adocicado da matança das aves que ocorre dentro do estabelecimento. Adentramos o local, após termos vestido roupas brancas especiais, e começamos a visita no sentido contrário ao fluxo produtivo para evitar contaminações no produto final. Trata-se de um corredor estreito, com o pé direito baixo, quase um túnel, que desemboca em uma luz amarela intensa, para repelir insetos. Nossa guia, então, abre a porta e entramos na parte final da produção. Um sistema complexo de esteiras e ganchos, chamados nórias, passam por nossas cabeças, e neles estão fixadas pelas patas as carcaças de frango, que pingam incessantemente uma gordura fétida acrescida da água hiperclorada utilizada em sua higienização.

Sob as esteiras estão os funcionários que trabalham em pé, diante de uma bancada, na maioria mulheres, que nos olham com curiosidade e espanto. A expressão em seus rostos é de uma tristeza marcante, mesclada pelo cansaço físico dos movimentos repetitivos que têm que executar diariamente. O barulho do local é ensurdecedor e, conforme andamos, o cheiro forte torna- se cada vez mais desagradável. Em cada bancada, os funcionários devem desempenhar uma função, chamadas de linhas de inspeção, que são classificadas por letras do alfabeto. Em cada letra ocorre a retirada padronizada de determinados órgãos. Um grupo de mulheres, muitas sem luvas, trabalham retirando com as mãos, com uma destreza impressionante, a vesícula biliar das carcaças em processo de evisceração. Mais adiante, outra funcionária dedica-se a ‘pescar’ com uma barra de metal as carcaças que caem no chão, para destiná-las à graxaria, onde serão transformadas em produtos não-comestíveis. Durante a passagem das nórias podemos observar que cada uma apresenta uma marcação com uma cor, o que serve para fazer a contagem final dos frangos por produtor e repassar o lucro referente ao dia.

Uma máquina especial remove toda a carne restante presa nos ossos, que farão parte da liga que irá compor os caros e adorados nuggets. Estamos agora diante dos chillers, equipamentos responsáveis pelo aquecimento seguido de um resfriamento rápido das carcaças, com a finalidade de eliminar contaminantes biológicos da carne. Os chillers nada mais são do que grandes piscinas vermelhas de sangue com partículas de gordura que ficam boiando na superfície, onde os frangos ficam embebidos.

Olho para o chão e tudo o que vejo é sangue e uma quantidade absurda de água que parece verter de todos os lados para a limpeza das carcaças – estima-se que para a limpeza de cada carcaça de frango se gaste em média 35 litros de água! Desvio o olhar para cima e vejo carcaças sangrentas passando por minha cabeça, pois estamos nos aproximando do início do processo, quando começam a surgir aves com cabeças e penas, que são retiradas em uma máquina específica, o que deixa o chão lotado de penas brancas.

Nossa guia nos avisa que estamos chegando à linha de matança. Há uma diminuição abrupta da luz, onde funcionários trabalham quase no escuro. Os índices de depressão dos funcionários que exercem essa função são extremamente elevados, devido à insalubridade. Trata-se do início do processo de insensibilização. A luz é reduzida com a finalidade de reduzir a atividade e o estresse dos animais, que são extremamente sensíveis a este estímulo. A esteira segue com as aves penduradas na nória pela pata, de cabeça para baixo e agora passam por um túnel, onde sofrem eletronarcose – isto é, são molhadas e eletrocutadas, de modo que isso as atordoe, mas sem causar a morte. As galinhas seguem estáticas pela esteira, onde logo encontram uma serra, que fica presa a uma espécie de roda, e têm suas gargantas cortadas. Nossa guia nos explica que dependendo do tamanho das aves a altura da lâmina deve ser ajustada, para reduzir a margem de erros no corte mecanizado.

Na sequência, algumas galinhas encontram-se com o pescoço intacto, enquanto outras, mesmo com a traquéia perfurada, começam a se mexer, visivelmente conscientes. Um funcionário tem então como tarefa cortar o máximo de pescoços de galinhas que falharam na serra automática, mas a esteira passa em uma velocidade assustadora, são muitas aves que devem morrer hoje para atender à demanda do mercado, cada vez mais voraz por carne de frango. Não há tempo para cortar o pescoço de todas as intactas, nem de abreviar o sofrimento daquelas que se debatem. As aves seguem para serem escaldadas em água fervendo.

Fomos levados ao local do recebimento das cargas. Vemos caixas e caixas com mais aves do que espaço interno, em algumas há mais de dez animais. São tantas que muitas estão fora das caixas, respiram ofegantes, com o bico aberto pelo estresse e pelo medo. Elas estão há dez horas em jejum, sendo permitido o abate somente até doze horas após o início do jejum. O trabalho segue em ritmo frenético. Uma colega encontra uma galinha solta e a pega, colocando-a, de forma orgulhosa, em outra caixa que segue na esteira rumo à serra automática, emitindo um comentário de que estava feliz por ter conseguido pegá-la. Descemos as escadas e nos deparamos com o caminhão que as trouxe. Somos instruídos a não passar muito perto, pois poderíamos ser bicados pelas aves apinhadas dentro das caixas. Nos afastamos um pouco e, em poucos momentos, vemos aves soltas em cima do caminhão. Elas tentam voar mas não conseguem, e muitas acabam caindo direto no chão. Um funcionário aparece com um gancho e as junta pelas patas, como se fosse inços em meio a grama. Violentamente, ele junta o máximo de aves que pode pegar com cada mão. As aves estão penduradas apenas por uma das patas. Então, alguém lembra que ele poderia ser mais delicado e pensar no ‘bemestar’ animal, afinal, deste modo, os frangos podem apresentar lesões graves como rupturas e fraturas, o que compromete o retorno financeiro pela carcaça.

Somos encaminhados para uma espécie de área de descanso dos funcionários, onde esperamos pelo veterinário responsável pelo setor de suínos para nos acompanhar na visita deste setor. Neste momento uma funcionária, escorada por mais duas colegas, passa em estado de choque por nós. Ela estava sangrando muito na mão. Acabou de sofrer um acidente de trabalho. Ela chora muito, a lesão parece grave. Uma colega nossa se manifesta rindo, dizendo que não vai comer o frango que ela estava eviscerando na hora que se machucou! Muitos acham graça e riem. Mais à frente vejo uma placa dizendo ‘Estamos a ZERO dias sem acidentes de trabalho’ e, logo abaixo, ‘Recorde sem acidentes:83 dias’.

No setor de suínos, passamos pelo mesmo ritual de antissepsia e adentramos outro corredor estreito com luzes amarelas. Meu nariz ainda está impregnado com o cheiro da morte das galinhas e meus ouvidos ainda não se acostumaram ao barulho estridente das máquinas, que são fortemente audíveis mesmo com o uso de protetores auriculares. Uma porta se abre, e atrás do veterinário estão centenas de carcaças de porcos mortos pendurados pela pata traseira, passando pela esteira. O tamanho do animal impressiona. O veterinário nos conta que ali são abatidos 2350 suínos por dia! Os funcionários agora são em sua grande maioria homens, muitos aparentemente se orgulham de sua função, e riem enquanto serram o abdômen do animal e retiram as vísceras. Neste setor a esteira anda mais lentamente, devido ao tamanho do animal e a menor quantidade de animais que estão sendo abatidos, quando comparado ao setor de aves. Há sangue por tudo.

Para caminhar, temos que desviar das carcaças de 100 kg penduradas sobre nossas cabeças. Os funcionários realizam seu trabalho em etapas específicas da produção, uns arrancam a cabeça, enquanto outros em outra parte da sala removem os órgãos internos e outros ainda são responsáveis pela identificação de qual cabeça pertence a que corpo, através de um sistema de numeração para posterior inspeção de possíveis lesões que possam causar danos à saúde pública. Mais à frente vemos uma impressionante sequência de dezenas de porcos abatidos subindo de uma andar ao outro pelo sistema de esteiras. Somos convidados a ir até o andar de baixo onde ocorre a sangria. Para chegarmos lá temos que descer uma escada helicoidal estreita e escorregadia, devido à presença de gordura suína sob nossas botas. No meio desta escada existe uma espécie de calha por onde passam os animais mortos, ainda cheios de sangue. Nossa roupa está tapada de respingos de sangue.

De repente a temperatura do ambiente muda e começamos a sentir um calor e um barulho atípicos do lugar. Olho então para frente e vejo a cena de uma carcaça pendurada por uma pata passar por uma espécie de jogo automatizado de chamas. Durante os poucos segundos que dura o processo, podemos ver as carcaças envoltas de uma labareda azul, e sentimos um forte cheiro de pêlo queimado. As labaredas são utilizadas para eliminar os resquícios de cerdas após a remoção dos pêlos, previamente removidos por um sistema de borrachas. Chegamos finalmente na sangria. Os gritos estrondosos dos animais deveriam fazer qualquer um perceber que não é possível existir bem-estar diante da banalização da morte. Ao invés disso, muitos riem cada vez que um suíno é grosseiramente empurrado por um funcionário, munido de uma vara capaz de disparar choques de baixa intensidade, em direção a uma espécie de escorregador totalmente fechado dos quatro lados. No fim do escorregador está um funcionário de aparência assustadora com uma barra com uma espécie de ‘U’ na ponta. O ‘U’ é encaixado na cabeça do animal e suas pontas ficam em contato com a região temporal do crânio, onde um choque de grande intensidade é disparado. O animal cai como uma pedra, gerando um barulho característico de seu corpo desabando sobre a esteira metálica. Muitos apresentam contrações involuntárias nas patas, e parecem estar dando coices. Com uma destreza impressionante o funcionário seguinte corta a garganta do animal. Através do orifício na traquéia jorram litros de sangue. O veterinário nos explica que neste momento o animal ainda não está morto, mas que “conforme as boas práticas de bem-estar animal, estes devem morrer dentro de no máximo seis minutos”, após ocorrer a total eliminação do sangue pelo bombeamento cardíaco. Na verdade, o real motivo para que não se aceite a morte do animal em tempo superior a este, é evitar que a carcaça fique PSE – ‘pale, soft, exsudative’, ‘pálida, friável, exsudativa’, pois este tipo de produto não apresenta a qualidade necessária exigida pelo mercado, e consequentemente há perda nos lucros.

Somos levados até os currais onde podemos ver os suínos vivos serem empurrados para o escorregador. Eles estão em pânico, uns sobem sobre os outros, enquanto nos olham fixamente nos olhos com a real expressão do horror. Os gritos tornam-se cada vez mais altos e o funcionário os empurra com o bastão de choques. Mais atrás está outro funcionário com uma espécie de relho feito de sacos plásticos, e o desfere contra o lombo dos animais para estes andarem na direção da matança. O veterinário nos explica que o relho é feito deste material para não machucar os animais. Isto constituiria crueldade, algo condenável pelo ‘bem-estar animal’, valor muito importante dentro da empresa, e que poderia acarretar em lesões cutâneas, afetando negativamente o valor da carcaça.

Por fim, podemos ver os currais de chegada, onde os caminhões descarregam diariamente os animais para o abate. É neste local que deve ser feita a inspeção ante-mortem pelo veterinário da inspetoria. De acordo com os preceitos da humanização da morte, todos aqueles animais que chegam com fraturas na pata e que não conseguem mais se locomover adequadamente devem ser removidos em separado e enviados para a matança imediata, isto é, devem ter o direito de ‘furar a fila’ a fim de que o seu sofrimento seja abreviado. O veterinário, com muito orgulho, faz questão de dizer que “o processo precisa ser feito”! E que já que é necessário, “é preciso fazê-lo com dignidade e respeito pelos animais”; Ele ainda afirma que na indústria é possível assegurar que estes animais não passam por sofrimento, e que o seu fim é muito menos cruel do que seria se fossem predados por um leão na natureza!

Neste momento, é difícil conter o riso diante da tortuosidade do raciocínio exposto. Em local algum do mundo teríamos mais de 2000 suínos sendo predados em cadeia por leões vorazes, sistematicamente, todos os dias. Ao que consta, leões não têm a capacidade de raciocínio semelhante a um humano. Eles não podem fazer escolhas, simplesmente porque não têm como refletir sobre as consequências dos próprios atos. Leões não planejam estrategicamente como irão matar suas presas a fim de terem lucro com isso, e tampouco consideram normal a condição de degradação de outros seres de sua própria espécie em prol da satisfação do luxo de outros poucos. Apenas o ser humano é capaz de ter estratégias para a exploração máxima de todos aqueles capazes de sofrer sem de fato considerar isso. Hoje, muito se fala sobre bem-estar animal, porém trata-se apenas de um modo mais refinado de justificar injustificáveis fins.

O bem-estar animal agrada a muitos, pois consegue suavizar o sofrimento e a culpa daqueles que sustentam a indústria da morte, e ajudam a aumentar os lucros através de medidas que teoricamente são adotadas para beneficiar os animais, mas que são norteadas pelo aumento da produtividade e qualidade do produto final. O limite do ‘bem-estar animal’ vai até onde o marketing e o lucro podem vislumbrar. É inacreditável que, para a grande maioria, ingenuamente, esse ainda seja visto como o caminho para o fim do sofrimento. O sofrimento animal apenas poderá ser reduzido quando criarmos coragem para defender o direito dos animais, através da abolição do consumo de seus corpos para a satisfação fugaz de nossos desejos egoístas.’

* Denise Terra é formanda em Medicina Veterinária

Link do texto:

http://vanguardaabolicionista.wordpress.com/2010/07/12/no-inferno-todos-vestem-roupas-brancas/#comment-281

Touradas, a brincadeira de mau gosto.

Hoje logo de manha, tava lendo uma matéria no site globo.com , falando corrida de touros que tradicionalmente acontece na Espanha, em uma cidade localizada ao norte do país, chamada Pamplona.  Infelizmente só se feriram 37 pessoas.

Qual é a graça de soltar o touro em vias publicas e fugir dele? Ou então colocar em uma arena, e machucá-lo até a morte? Essa baderna, chamada de tradição não acontece só na Espanha não, até no Brasil tem isso. A graça está em ver o sofrimento, o ser humano gosta de ver alguém agonizando, gosta de ver sangue, a morte é um passo ao êxtase.

Sou contra o uso de qualquer animal para finalidade de violência, maus tratos e morte. Isso viola as condições e o direito desses seres. E se fosse ao contrario? Como se chamaria? Como seria?

Precisamos urgente humanizar os cidadãos do mundo, torná-los mais cientes de seus atos. Não é simplesmente a vida de um animal, é a conseqüência do conjunto desses atos, o comportamento de quem o pratica.

Tudo começa como uma brincadeira, depois é agregado a tradições e termina em brutalidades.

Acho muito bom quando um touro consegue machucar alguém, ele também tem direito de defesa.

Não apóie essa idéia, não assista corrida de touros, touradas e evite consumir marcas que patrocinam esses eventos, pois ao comprar seus produtos você automaticamente financia essa pratica. Conheço duas marcas: Sagres (marca de cerveja vegana, mas que patrocina touradas), Pepsi.

Sobre tourada:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tourada

G1

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/07/ultimo-dia-de-corrida-de-touros-de-sao-firmino-fere-11-na-espanha.html